domingo, 11 de março de 2018

Cristianismo 250 até 10-03-2018



"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68

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Domingo, dia 04 de Março de 2018

3.º Domingo da Quaresma

Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras:
«Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão.
Não terás outros deuses diante de Mim.
Não farás para ti qualquer imagem esculpida nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na Terra ou nas águas debaixo da terra.
Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem;
mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos.
Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão.
Lembrar-te-ás do dia de sábado para o santificares.
Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas.
Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho nem tu nem o teu filho nem a tua filha nem o teu servo nem a tua serva nem os teus animais domésticos nem o estrangeiro que vive na tua cidade.
Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado.
Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar.
Não matarás.
Não cometerás adultério.
Não furtarás.
Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a mulher do teu próximo nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento nem coisa alguma que lhe pertença».

Livro de Salmos 19(18),8.9.10.11.
A lei do Senhor é perfeita,
ela reconforta a alma.
As ordens do Senhor são firmes
e dão sabedoria aos simples.

Os preceitos do Senhor são rectos
e alegram o coração.
Os mandamentos do Senhor são claros
e iluminam os olhos.

O amor do Senhor é puro
e permanece eternamente.
Os juízos do Senhor são verdadeiros,
todos eles são rectos.

São mais preciosos do que o ouro,
o ouro mais fino;
são mais doces que o mel,
o puro mel dos favos.

1.ª Carta aos Coríntios 1,22-25.
Irmãos: Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria.
Quanto a nós, pregamos Jesus Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios.
Mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Jesus Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus.
A loucura de Deus é mais sábia do que o homem e a fraqueza de Deus é mais forte do que o homem.

Evangelho segundo São João 2,13-25.
Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus Cristo subiu a Jerusalém.
«Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens por Ele amados».
Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas
e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio».
Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa».
Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?».
Jesus Cristo respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei».
Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?».
Jesus Cristo, porém, falava do templo do seu Corpo.
Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus Cristo.
Enquanto Jesus Cristo permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome.
Mas Jesus Cristo não se fiava neles porque os conhecia a todos
e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Leão Magno (?-c. 461), papa, doutor da Igreja
Sermão 48
«Jesus Cristo, porém, falava do templo do seu Corpo.»
Se considerarmos o que o mundo recebeu pela cruz do Senhor, reconheceremos que é justo que nos preparemos para celebrar a Páscoa com um jejum de quarenta dias. [...]
Não são apenas os bispos ou os padres ou os ministros dos sacramentos, é todo o corpo da Igreja, é todo o conjunto dos fiéis que deve purificar-se das suas manchas para que o templo de Deus, cujo alicerce é o seu próprio fundador, seja belo em todas as suas pedras e luminoso em todas as suas partes. [...] Não se pode empreender nem completar a purificação deste templo sem a ajuda do seu construtor; mas Aquele que o edificou também lhe deu o poder de promover o seu crescimento a partir do seu próprio trabalho. Porque foi um material vivo e inteligente que serviu para a construção deste templo e é o Espírito de graça que o incita a congregar-se num só edifício. [...]
Portanto, uma vez que o conjunto dos fiéis e cada um em particular formam um só e mesmo templo de Deus, este deve ser perfeito em cada um, tal como o deve ser no seu conjunto. Porque se é certo que a beleza não pode ser idêntica em todos os membros nem os méritos iguais numa tão grande diversidade de partes, o vínculo da caridade obtém contudo a comunhão na beleza. Aqueles que estão unidos por um santo amor, mesmo que não tenham recebido os mesmos dons da graça, alegram-se na verdade com os bens uns dos outros e o que amam nos outros não pode ser-lhes estranho, uma vez que acrescentam a sua própria riqueza quando se alegram com o progresso dos outros.


Segunda-feira, dia 05 de Março de 2018

Segunda-feira da 3.ª semana da Quaresma

Santo do dia : Santo Adriano, mártir, +308, São João José da Cruz, religioso, +1737

Livro 2.º de  Reis 5,1-15a.
Naqueles dias, Naamã, general dos exércitos do rei da Síria, era tido em grande consideração e estima pelo seu soberano porque, por seu intermédio, o Senhor tinha dado a vitória à Síria. Mas este homem, valente guerreiro, estava leproso.
Ora, numa incursão, os sírios tinham levado uma menina da terra de Israel, que ficou ao serviço da mulher de Naamã.
Ela disse à sua senhora: «Se o meu senhor fosse ter com o profeta que vive na Samaria, ele decerto o livraria da lepra».
Naamã foi contar ao soberano o que dissera a jovem da terra de Israel.
O rei da Síria respondeu-lhe: «Vai, que eu escreverei uma carta ao rei de Israel». Naamã pôs-se a caminho, levando consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa
e entregou ao rei de Israel a carta que dizia: «Logo que esta carta te chegar às mãos, ficarás a saber que te envio o meu servo Naamã para que o livres da sua lepra».
Depois de ter lido a carta, o rei de Israel rasgou as vestes, exclamando: «Serei eu um deus que possa dar a morte e a vida, para este me mandar dizer que livre um homem da sua lepra? Reparai e vede como ele procura um pretexto contra mim».
Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel tinha rasgado as vestes, mandou-lhe dizer: «Por que motivo rasgaste as tuas vestes? Esse homem venha ter comigo e saberá que existe um profeta em Israel».
Naamã seguiu com os seus cavalos e o seu carro e parou à porta de Eliseu.
Eliseu mandou-lhe dizer por um mensageiro: «Vai banhar-te sete vezes no Jordão e o teu corpo ficará limpo».
Naamã irritou-se e decidiu ir-se embora, dizendo: «Eu pensava que ele mesmo viria ao meu encontro, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, colocaria a mão sobre a parte doente e me livraria da lepra.
Não valem os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, mais do que todas as águas de Israel? Não poderia eu banhar-me neles para ficar limpo?» Deu meia volta e partiu indignado.
Mas os servos aproximaram-se dele e disseram: «Meu pai, se o profeta te tivesse mandado uma coisa difícil, não a terias feito? Quanto mais, se ele te diz apenas: ‘Vai banhar-te e ficarás limpo’?»
Naamã desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, como lhe ordenara o homem de Deus. A sua carne tornou-se como a de uma criança e ficou limpo.
Voltou de novo, com todo o seu séquito, à casa do homem de Deus, entrou e apresentou-se, dizendo: «Agora sei que não há Deus em toda a terra, senão em Israel».

Livro de Salmos 42(41),2-3.43(42),3-4.
Como suspira o veado pelas correntes das águas
assim minha alma suspira por Vós, Senhor.
Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:
Quando irei estar na presença de Deus?

Enviai a vossa luz e verdade,
sejam elas o meu guia e me conduzam
à vossa montanha santa e ao vosso santuário.
E eu irei ao altar de Deus,

a Deus que é a minha alegria.
Ao som da cítara Vos louvarei, Senhor, meu Deus.

Evangelho segundo São Lucas 4,24-30.
Naquele tempo, Jesus Cristo veio a Nazaré e falou ao povo na sinagoga, dizendo: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a Terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia.
Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã».
Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus Cristo da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus Cristo, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Os Mistérios, § 16. 18-21
A quaresma leva à ressurreição, pelo baptismo
Naamã era sírio e estava leproso, sem que ninguém o pudesse curar. Então uma jovem prisioneira disse-lhe que havia em Israel um profeta que podia curá-lo da lepra. [...] Já é tempo de descobrires quem era aquela jovem prisioneira. Era a figura da assembleia mais nova de entre as nações, isto é, da Igreja do Senhor. Antes, quando não possuía ainda a liberdade da graça, fora humilhada pelo cativeiro do pecado. Mas, a seu conselho, este povo que não era ainda um povo escutou a palavra dos profetas, da qual duvidara durante muito tempo. Em seguida, quando acreditou que devia segui-la, o povo foi purificado de todo o contágio do pecado. Naamã duvidou antes de ser curado; mas tu já foste curado e por isso não deves duvidar.
Já antes te foi dito que não devias acreditar apenas no que vês ao aproximares-te do baptistério para que digas: «É este o «grande mistério que nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram nem jamais passou pelo pensamento do homem (1Cor 2,9)? Eu vejo as águas que via todos os dias. São estas águas a que tantas vezes desci sem ter sido purificado que vão agora purificar-me?» Deves reconhecer que a água não purifica sem o Espírito. Por isso leste que no baptismo as três testemunhas são uma só: a água, o sangue e o Espírito (1Jo 5,7-8) porque, se prescindires de uma delas, já não há sacramento do baptismo. Que é a água sem a cruz de Jesus Cristo? É um elemento comum, sem nenhuma eficácia sacramental. Mas também é verdade que sem a água não há mistério da regeneração: «Quem não renascer da água e do Espírito não entrará no reino de Deus» (Jo 3,5). Também o catecúmeno acredita na cruz do Senhor Jesus Cristo, com a qual é assinalado; mas, se não for baptizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, não pode receber o perdão dos pecados nem obter o dom da graça espiritual.
Por isso o sírio Naamã mergulhou sete vezes, segundo a Lei; tu, porém, foste baptizado em nome da Trindade. [...] Proclamaste a tua fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. [...] Morreste para o mundo, ressuscitaste para Deus e, de certo modo sepultado naquele elemento do mundo, morto para o pecado, ressuscitaste para a vida eterna (Rom 6,4).

Terça-feira, dia 06 de Março de 2018

Terça-feira da 3.ª semana da Quaresma

Santo do dia : Santo Olegário, bispo, +1136, Santa Rosa de Viterbo, religiosa, +1252

Livro de Daniel 3,25.34-43.
Naqueles dias, levantando-se no meio da fornalha ardente, Azarias fez a seguinte oração:
«Por amor do vosso nome, Senhor, não nos abandoneis para sempre e não anuleis a vossa aliança.
Não nos retireis a vossa misericórdia, por amor de Abraão vosso amigo, de Isaac vosso servo e de Israel vosso santo,
aos quais prometestes multiplicar a sua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.
Mas agora, Senhor, tornámo-nos o mais pequeno de todos os povos e somos hoje humilhados em toda a Terra por causa dos nossos pecados.
Não temos chefe nem guia nem profeta nem holocausto nem sacrifício nem oblação nem incenso nem lugar onde apresentar-Vos as primícias para alcançar misericórdia, (apenas o perdão com o coração a ficar limpo de toda a mágoa é o sacrifício agradável a Deus).
Mas de coração arrependido e espírito humilhado sejamos por Vós recebidos como se viéssemos com um holocausto de touros e carneiros
e milhares de gordos cordeiros. Seja hoje este nosso sacrifício agradável na vossa presença porque jamais serão confundidos aqueles que em Vós esperam
E agora Vos seguimos de todo o coração, Vos adoramos e buscamos o vosso rosto.
Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa bondade e segundo a abundância da vossa misericórdia.
Livrai-nos pelo vosso admirável poder e dai glória, Senhor, ao vosso nome».

Livro de Salmos 25(24),4bc-5ab.6-7bc.8-9.
Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Evangelho segundo São Mateus 18,21-35.
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus Cristo e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».
Jesus Cristo respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a esposa, os filhos e tudo quanto possuía para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias porque mo pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?’.
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja
Sermão para a Sexta-Feira Santa, 25/03/1622
Perdoar aos irmãos de todo o coração
A primeira palavra que Nosso Senhor pronunciou sobre a cruz foi uma oração por quem O crucificava, fazendo o que diz este texto de São Paulo «Nos dias da sua vida terrena, apresentou orações e súplicas» (Heb 5,7). Certamente que aqueles que crucificaram o nosso divino Salvador não O conheciam [...] porque se O tivessem conhecido não O teriam crucificado (1Cor 2,8). Por conseguinte, Nosso Senhor, vendo a ignorância e a fraqueza daqueles que O torturavam, começou a desculpá-los e ofereceu por eles esse sacrifício a seu Pai celeste porque a oração é um sacrifício também[...]: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). Tão grande era a chama de amor que ardia no coração do nosso manso Salvador que na mais suprema das suas dores, no momento onde a intensidade dos tormentos parecia impedi-lo de rezar por Si, pela força do seu amor, esquece-Se de Si próprio, mas não das suas criaturas. [...]
Com isso, desejava que compreendêssemos que o amor que nos tem não pode ser enfraquecido por nenhum tipo de sofrimento e ensinar-nos qual é o dever do nosso coração para com o nosso próximo. [...] E o divino Senhor, que Se empenhou em pedir perdão para os homens, foi certamente ouvido e o seu pedido atendido porque seu divino Pai não podia recusar-Lhe nada que Ele Lhe pedisse.


Quarta-feira, dia 07 de Março de 2018

Quarta-feira da 3.ª semana da Quaresma

Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais.
Ensinei-vos estas leis e preceitos, conforme o Senhor, meu Deus, me ordenara, a fim de os praticardes na terra de que ides tomar posse.
Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’.
Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos?
E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».
Mas tende cuidado; prestai atenção para não esquecer tudo quanto viram os vossos olhos nem o deixeis fugir do pensamento em nenhum dia da vossa vida. Ensinai-o aos vossos filhos e aos filhos dos vossos filhos».

Livro de Salmos 147,12-13.15-16.19-20.
Glorifica, Jerusalém, o Senhor,
louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.

Envia à Terra a sua palavra,
corre veloz a sua mensagem.
Faz cair a neve como a lã,
espalha a geada como cinza.

Revelou a sua palavra a Jacob,
suas leis e preceitos a Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo,
a nenhum outro manifestou os seus juízos.

Evangelho segundo São Mateus 5,17-19.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar.
Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a Terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra.
Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Santo Hilário (c. 315-367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja
Comentário ao evangelho de Mateus, 4, 14-15
Jesus Cristo é o cumprimento das Escrituras
«Não vim revogar, mas completar». A força e o poder destas palavras do Filho (de Deus) encerram um profundo mistério.
A Lei, com efeito, prescrevia obras, mas orientava-as todas para a fé em realidades que seriam manifestadas em Jesus Cristo porque o ensino e a Paixão do Salvador são a grande e misteriosa intenção da vontade do Pai. A Lei, sob o véu de palavras inspiradas, anunciou o nascimento do Senhor Jesus Cristo, a sua incarnação, a sua Paixão, a sua ressurreição; os profetas, bem como os apóstolos, ensinam-nos repetidamente que, desde toda a eternidade, o mistério de Jesus Cristo foi preparado para ser revelado no nosso tempo. [...]
Jesus Cristo não quis que pensássemos que as suas obras continham outra coisa que as prescrições da Lei. Foi por isso que Ele próprio afirmou: «não vim revogar, mas completar». O céu e a Terra [...] hão-de desaparecer, mas nem o menor mandamento da Lei desaparecerá porque em Jesus Cristo toda a Lei e os profetas encontram a sua realização. No momento da sua Paixão, [...] Ele declarou: «Tudo está consumado» (Jo 19,30). Nesse momento, todas as palavras dos profetas receberam a sua confirmação.
É por isso que Jesus Cristo afirma que nem o mais pequeno dos mandamentos de Deus pode ser abolido sem ofender a Deus. [...] Nada é mais humilde que a coisa mais pequena. E a mais humilde de todas foi a Paixão do Senhor e a sua morte na cruz.


Quinta-feira, dia 08 de Março de 2018

Quinta-feira da 3.ª da Quaresma

Assim fala o Senhor: «Foi isto que ordenei ao meu povo: ‘Escutai a minha voz e Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo. Segui sempre o caminho que vou indicar-vos e sereis felizes’.
Mas eles não ouviram nem prestaram atenção: seguiram as más inclinações do seu coração obstinado, voltaram-Me as costas, em vez de caminharem para Mim.
Desde o dia em que os seus pais saíram da terra do Egipto até hoje, enviei-lhes todos os profetas, meus servos, dia após dia, incansavelmente.
Mas eles não Me ouviram nem Me prestaram atenção: endureceram a sua cerviz, fizeram pior do que seus pais.
Se lhes disseres tudo isto, não te escutarão; se chamares por eles, não te responderão.
Por isso lhes dirás: Esta é a nação que não ouviu a voz do Senhor seu Deus e não quis aceitar os seus ensinamentos. Perdeu-se a fidelidade, foi eliminada da sua boca».

Livro de Salmos 95(94),1-2.6-7.8-9.
Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e agradeçamos
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus,
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras».

Evangelho segundo São Lucas 11,14-23.
Naquele tempo, Jesus Cristo estava a expulsar um demónio que era mudo. Logo que o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada.
Mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios».
Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do céu.
Mas Jesus Cristo, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa.
Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios.
Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes.
Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós.
Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança.
Mas se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos.
Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre Josué, n.º 15
«Quem não junta comigo dispersa»
Na guerra contra os moabitas e os amonitas, Josué [que tem o mesmo nome que Jesus] «matou todos os seus reis ao fio da espada» (Js 11,12). Nós estávamos todos «sob o reino do pecado» (Rom 6,12); todos nós estávamos sujeitos ao reinado das más paixões. [...] Em cada um de nós, no entanto, havia um rei particular que nele reinava e o dominava. Num era a avareza que ocupava o reino, noutro era o orgulho, noutro ainda, a mentira; um estava dominado pelos desejos carnais, outro vivia sob o reino da cólera. [...] Havia, pois em cada um de nós, um reino de pecado antes de termos fé.
Mas logo que Jesus Cristo veio, matou todos os reis que detinham em nós os reinos do pecado, ensinou-nos a matá-los todos e a não deixar escapar nenhum. Se mantivermos vivo um deles que seja, não poderemos pertencer ao exército de Jesus Cristo. [...] É que o Senhor Jesus Cristo purificou-nos de toda a espécie de pecado; destruiu-os a todos. Com efeito, «todos nós éramos insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de uma série de cobiças, vivendo na malícia e no desejo, execráveis, odiando-nos uns aos outros» (Tt 3,3), com todo o género de pecados que se encontram nos homens antes de crerem. Há razão para dizer que Jesus Cristo matou todos os que saíram para fazer a guerra; pois não existe pecado tão grande que Jesus Cristo não consiga dominá-lo, Ele que é o Verbo e a «sabedoria de Deus« (1Cor 1,24). Ele triunfa sobre tudo, é vencedor de tudo.
Não acreditamos que somos limpos de todos os pecados quando vimos ao baptismo? É o que diz o apóstolo Paulo que, depois de ter enumerado toda a espécie de pecados, acrescenta: «eis o que éreis, mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo» (1Cor 6,11).


Sexta-feira, dia 09 de Março de 2018

Sexta-feira da 3.ª semana da Quaresma

Assim fala o Senhor: «Israel, converte-te ao Senhor, teu Deus, porque foram os teus pecados que te fizeram cair.
Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor e dizei-Lhe: “Perdoai todas as nossas faltas e aceitai o dom que Vos oferecemos, a homenagem dos nossos lábios.
Não é a Assíria que nos pode salvar; não montaremos mais a cavalo nem chamaremos ‘Nosso Deus’ à obra das nossas mãos porque só em Vós o órfão encontra piedade”.
Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei generosamente, pois a minha ira afastou-se deles.
Serei como orvalho para Israel que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano.
Os seus ramos estender-se-ão ao longe, a sua opulência será como a da oliveira e a sua fragrância como a do Líbano.
Voltarão a sentar-se à minha sombra, farão reviver o trigo; florescerão como a vinha, criarão fama como o vinho do Líbano.
Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Sou Eu que o atendo e olho por ele. Sou como o cipreste verdejante: graças a Mim darás muito fruto».
Quem for sábio entenderá estas palavras, quem for inteligente poderá compreendê-las. Porque são rectos os caminhos do Senhor: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores.

Livro de Salmos 81(80),6c-8a.8bc-9.10-11ab.14.17.
Oiço uma língua desconhecida:
«Aliviei os teus ombros do fardo e soltei as tuas mãos dos cestos;
gritaste na angústia e Eu te libertei.
Do meio do trovão te respondi;

pus-te à prova junto das águas de Meriba.
Escuta, meu povo, a minha advertência,
assim, Israel, Me prestes ouvidos:
«Não terás contigo um deus alheio

nem adorarás divindades estranhas.
Eu, o Senhor, sou o teu Deus,
que te fiz sair da terra do Egipto».
Oh se o meu povo Me escutasse,

se Israel seguisse os meus caminhos,
Alimentaria o meu povo com a flor da farinha
e saciá-lo-ia com o mel dos rochedos.

Evangelho segundo São Marcos 12,28b-34.
Naquele tempo, aproximou-se de Jesus Cristo um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?».
Jesus Cristo respondeu: «O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’
.
O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior do que estes».
Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele.
Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios».
Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus Cristo disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-l’O.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja
«Sobre o amor às criaturas»
O verdadeiro amor
Há certos amores que parecem extremamente grandes e perfeitos aos olhos das criaturas e que diante de Deus são pequenos e de nenhum valor. E a razão é que estas amizades não estão fundadas na verdadeira caridade que é a caridade para com Deus, mas apenas em certas tendências e inclinações naturais.
Pelo contrário, há outros amores que parecem extremamente reduzidos e vazios aos olhos do mundo e que diante de Deus serão cheios e muito excelentes porque os actos correspondentes se fazem apenas por Deus e em Deus, sem mistura do nosso interesse pessoal. Os actos de caridade que fazemos por aqueles que amamos desta maneira são mil vezes mais perfeitos, na medida em que tudo é puramente por Deus, mas os serviços e outras ajudas que prestamos àqueles que amamos por inclinação têm muito menos mérito, devido à grande complacência e satisfação que obtemos com a sua realização e ao facto de, em geral, os fazermos mais por este movimento do que por amor a Deus.
Há ainda outra razão que torna as primeiras amizades de que falámos menores do que as segundas: o facto de não durarem, uma vez que, sendo a sua causa tão frágil, logo que surge um obstáculo, esfriam e alteram-se; coisa que não acontece àquelas que são apenas em Deus porque a sua causa é sólida e permanente.
Os sinais de amizade que damos contra a nossa inclinação às pessoas pelas quais temos antipatia são melhores e mais agradáveis a Deus que aqueles que damos atraídos pelo afecto sensível. E a isto não deve chamar-se duplicidade nem dissimulação porque o sentimento contrário que experimento reside na parte inferior de mim e os actos que faço são feitos com a força da razão que é a parte principal da minha alma.
Assim aqueles que nada têm de amável são felizes porque o amor que se lhes dá é excelente, pois vem de Deus.


Sábado, dia 10 de Março de 2018

Sábado da 3.ª semana da Quaresma

Santo do dia : Santos Mártires de Sebaste, +320, Santo Emiliano, pastor eremita, séc. VI, São Macário de Jerusalém, patriarca, +335

Livro de Oseias 6,1-6.
Vinde, voltemos para o Senhor. Se Ele nos feriu, Ele nos curará. Se nos atingiu com os seus golpes, Ele tratará as nossas feridas.
Ao fim de dois dias, Ele nos fará viver de novo; ao terceiro dia nos levantará e viveremos na sua presença.
Procuremos conhecer o Senhor: a sua vinda é certa como a aurora. Virá a nós como o aguaceiro de Outono, como a chuva da Primavera sobre a face da terra.
«Que farei por ti, Efraim? Que farei por ti, Judá?» — diz o Senhor — «O vosso amor é como o nevoeiro da manhã, como o orvalho da madrugada que logo se evapora.
Por isso os castiguei por meio dos Profetas e os matei com palavras da minha boca e o meu direito resplandece como a luz.
Porque Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos».

Livro de Salmos 51(50),3-4.18-19.20-21ab.
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade (= preconceitos; não-equidade) e purificai-me de todas as faltas.
Não é do sacrifício que Vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido: não desprezeis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.
Pela vossa bondade,
tratai Sião com benevolência,
reconstruí os muros de Jerusalém.

Então Vos agradareis dos sacrifícios devidos, oblações e holocaustos;
então serão oferecidos vítimas
sobre o vosso altar

Evangelho segundo São Lucas 18,9-14.
Naquele tempo, Jesus Cristo disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
«Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens que são ladrões, injustos e adúlteros nem como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’.
O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim que sou pecador’.
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
«Sobre o governo da alma»
As lágrimas e o desejo
Ó alma, que choras os teus pecados, teme o juízo divino que é um abismo profundo. Teme vivamente, ainda que já sejas penitente, voltar a desagradar a Deus. Teme mais ainda, mesmo agora, ofender novamente a Deus. Teme acima de tudo seres finalmente separada de Deus, privada para sempre da luz, ardendo para sempre no fogo e roída pelo verme que não morrerá. Teme tudo isso, se uma penitência verdadeira te não obtiver que morras em graça e canta com o profeta: «O meu corpo estremece de amor na tua presença e os teus decretos inspiram-me respeito.» (Sl 118, 120).
Entretanto, deseja os dons celestes. Eleva-te pela chama do amor divino até Deus que tão pacientemente suportou os teus pecados, te esperou com tanta longanimidade e te reconduziu à penitência com tal misericórdia, pelo perdão, a infusão da graça e a promessa da coroa eterna. Ele apenas te pede que Lhe ofereças, ou antes, que dele recebas para Lhe oferecer, o sacrifício de um espírito contrito, de um coração contrito e arrependido (cf Sl 50,19) por amarga compunção, por uma confissão sincera e uma satisfação justa.
Deseja com ardor que Deus te prove o seu amor com uma ampla comunicação do Espírito Santo. Deseja com mais ardor ser-Lhe conforme por via de uma fiel imitação de Jesus Cristo crucificado. Acima de tudo, deseja possuir Deus na visão clara do Pai eterno, a fim de que possas, em verdade, cantar com o profeta: «A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo! Quando poderei estar na presença de Deus?» (Sl 41,3)
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domingo, 4 de março de 2018

Cristianismo 249 até 03-03-2018


"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68

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Domingo, dia 25 de Fevereiro de 2018

2.º Domingo da Quaresma

Naqueles dias, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou».
Deus disse: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac e vai à terra de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar».
Quando chegaram ao local designado por Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele.
Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o filho.
Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu: «Abraão, Abraão!». «Aqui estou, Senhor», respondeu ele.
O Anjo prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças nenhum mal. Agora sei que na verdade adoras a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu filho único».
Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho.
O Anjo do Senhor chamou Abraão, do Céu, pela segunda vez,
e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro __ oráculo do Senhor __ já que assim procedeste e não Me recusaste o teu filho, o teu filho único,
abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia que está nas praias do mar e a tua descendência conquistará as portas das cidades inimigas.
Porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da Terra».

Livro de Salmos 116(115),10.15.16-17.18-19.
Confiei no Senhor, mesmo quando disse: «Sou um homem de todo infeliz».
É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.
Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,
invocando, Senhor, o vosso nome.
Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.
nos átrios da casa do Senhor,
dentro dos teus muros, Jerusalém.

Carta aos Romanos 8,31b-34.
Irmãos: Se Deus está por nós, quem estará contra nós?
Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas?
Quem acusará os eleitos de Deus, se Deus os justifica?
E quem os condenará, se Cristo Jesus morreu e, mais ainda, ressuscitou, está à direita de Deus e intercede por nós?

Evangelho segundo São Marcos 9,2-10.
Naquele tempo, Jesus Cristo tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles.
As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear.
Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus Cristo.
Pedro tomou a palavra e disse a Jesus Cristo: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias».
Não sabia o que dizia, pois estavam deslumbrados.
Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».
De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus Cristo, sozinho com eles.
Ao descerem do monte, Jesus Cristo ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho (do homem) não ressuscitasse dos mortos.
Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja
Homilias sobre Marcos, n.º 6, SC 494
Jesus Cristo, anunciado pelos profetas, único salvador do género humano
«Pedro tomou a palavra e disse a Jesus Cristo: "Mestre, como é bom estarmos aqui!"» Também eu, quando leio as Escrituras e compreendo espiritualmente um ensinamento sublime, não quero descer daí, não quero descer a realidades mais humildes: quero fazer uma tenda para Jesus Cristo, a Lei e os profetas no meu coração. Mas Jesus Cristo que veio salvar o que estava perdido, que não veio salvar os santos, mas os que se portam mal, sabe que, se permanecer no alto da montanha, se não descer à terra, o género humano não será salvo.
«De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém». Quando leio o evangelho e vejo nele testemunhos da Lei e dos profetas, apenas considero a Jesus Cristo: não vi Moisés, não vi os profetas, senão para compreender que eles falavam de Jesus Cristo. Quando, por fim, chego ao esplendor de Cristo e recebo, por assim dizer, a luz esplendorosa do sol brilhante, não sou capaz de ver a luz de uma lamparina. Uma lamparina acesa a meio do dia nada ilumina: quando o sol brilha, a luz de uma lamparina torna-se invisível; assim também, na presença de Cristo, a Lei e os profetas são, por comparação, totalmente invisíveis. Não estou a criticar a Lei e os profetas, pelo contrário, estou a louvá-los porque anunciam Jesus Cristo; mas leio a Lei e os profetas sem querer fechar-me neles, antes para através deles chegar a Jesus Cristo. A Ele, com o Pai e o Espírito Santo, glória e majestade pela infinitude dos séculos dos séculos. Amén.


Segunda-feira, dia 26 de Fevereiro de 2018

Segunda-feira da 2.ª semana da Quaresma

Santo do dia : São Porfírio de Gaza, bispo, +420, Santo Alexandre, bispo, +328

Livro de Daniel 9,4b-10.
Senhor, Deus grande e poderoso, que sois fiel à aliança e à misericórdia para com os que Vos amam e observam os vossos mandamentos!
Nós pecámos, cometemos injustiças e iniquidades, fomos rebeldes, afastando-nos dos vossos mandamentos e preceitos.
Não escutámos os profetas, vossos servidores que em vosso nome falavam aos nossos reis, aos nossos chefes e antepassados e a todo o povo da nação.
Em Vós, Senhor, está a justiça; em nós recai a vergonha que sentimos no rosto, como sucede neste dia aos homens de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo o Israel, aos que estão perto e aos que estão longe, em todos os países para onde os dispersastes por causa das infidelidades que contra Vós cometeram.
Sobre nós, Senhor, recai a vergonha que sentimos no rosto, sobre os nossos reis, chefes e antepassados porque pecámos contra Vós.
No Senhor, nosso Deus, está a misericórdia e o perdão porque nos revoltámos contra Ele
e não escutámos a voz do Senhor, nosso Deus, seguindo as leis que nos dava por meio dos profetas, seu servidores.

Livro de Salmos 79(78),8.9.11.13.
Não recordeis, Senhor, contra nós
as culpas dos nossos pais.
Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia
porque somos tão miseráveis.

Ajudai-nos, ó Deus, nosso salvador,
para glória do vosso nome.
Salvai-nos e perdoai os nossos pecados
para glória do vosso nome.

Chegue à vossa presença, Senhor,
o gemido dos cativos;
pela omnipotência do vosso braço,
libertai os condenados à morte.

E nós, vosso povo,
ovelhas do vosso rebanho,
louvar-Vos-emos para sempre
e de geração em geração cantaremos a vossa glória.

Evangelho segundo São Lucas 6,36-38.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo aos seus discípulos: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados.
Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Santa Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Não há amor maior»
«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso»
Sinto que a Paixão de Jesus Cristo está incessantemente a acontecer de novo por toda a parte. Estamos dispostos a participar nesta Paixão? Estamos dispostos a partilhar os sofrimentos dos outros, não apenas onde a pobreza reina, mas em qualquer parte do mundo? Parece-me que a grande miséria e o sofrimento são mais difíceis de resolver no Ocidente. Quando encontro uma pessoa esfomeada na rua, oferecendo-lhe uma tigela de arroz ou uma fatia de pão, posso apaziguar-lhe a fome. Mas aquele que foi pisado, que não se sente desejado, amado, que vive com medo, que se sente rejeitado pela sociedade, esse experimenta uma forma de pobreza bem mais profunda e dolorosa. E é muito mais difícil encontrar remédio para ela.
As pessoas têm fome de Deus. As pessoas estão ávidas de amor. Temos consciência disso? Sabemos disso? Vemos isso? Temos olhos para ver? Muitas vezes, o nosso olhar vagueia sem se fixar. Como se andássemos a pairar neste mundo. Temos de abrir os olhos e ver.


Terça-feira, dia 27 de Fevereiro de 2018

Terça-feira da 2.ª semana da Quaresma

Escutai a palavra do Senhor, chefes de Sodoma; dai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra:
Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas acções, deixai de praticar o mal
e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva».
Vinde então para discutirmos as nossas razões, — diz o Senhor - Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã.
Se fordes dóceis e obedientes, comereis os bens da terra.
Mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada». Assim falou a boca do Senhor.

Livro de Salmos 50(49),8-9.16bc-17.21.23.
Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença.
Não aceito os novilhos da tua casa
nem os cabritos do teu rebanho.

Como falas tanto na minha lei
e trazes na boca a minha aliança,
tu que detestas os meus ensinamentos
e desprezas as minhas palavras?

Fizeste isto e Eu calei-me; pensaste que Eu era como tu.
Hei-de acusar-te e lançar-te tudo em rosto.
Honra-Me quem Me oferece um sacrifício de louvor, (perdoar, usar de misericórdia, não praticar o mal,…
)
a quem segue o caminho recto darei a salvação de Deus.

Evangelho segundo São Mateus 23,1-12.
Naquele tempo, Jesus Cristo falou à multidão e aos discípulos, dizendo:
«Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus.
Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras porque eles dizem e não fazem.
Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover.
Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam os filactérios e ampliam as borlas;
gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas,
das saudações nas praças públicas e que os tratem por ‘Mestres’. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’,
porque um só é o vosso Mestre (Jesus Cristo) e vós sois todos irmãos.
Na Terra, não chameis a ninguém vosso ‘Pai’ porque um só é o vosso pai, o Pai celeste.
Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’ porque um só é o vosso doutor (médico; o que cura), o Messias.
Aquele que for o maior entre vós será o vosso servidor.
Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, I série, n.º 49
«Quem se humilha será exaltado»
A providência de Deus, que dá a cada um o que mais lhe convém, tudo dispôs para nos conduzir à humildade. De facto, se te orgulhas com as graças da providência, esta abandona-te e voltas a cair. [...] Recorda, pois que não é por ti nem pela tua virtude que resistes às más tendências, mas que que é a graça que te sustenta, para que não temas. [...] Geme, chora, recorda os teus pecados no tempo da prova, a fim de seres libertado do orgulho e de adquirires a humildade. Mas não desesperes. Pede humildemente a Deus que te perdoe os teus pecados.
A humildade, também nas obras, apaga muitos pecados. Pelo contrário, sem ela, as obras de nada servem, chegando mesmo a atrair males sobre nós. Obtém, pois, pela humildade, o perdão das tuas injustiças. A humildade está para a virtude como o sal para os alimentos; a humildade destrói a força dos muitos pecados. [...] Se a possuirmos, fará de nós filhos de Deus, conduzindo-nos a Deus mesmo sem o socorro das boas obras. É por isso que, sem ela, todas as obras são vãs, como vãs são todas as virtudes e todas as dores.


Quarta-feira, dia 28 de Fevereiro de 2018

Quarta-feira da 2.ª semana da Quaresma

Santo do dia : São Torcato, bispo, séc. I, Beato Daniel Brottier, presbítero, +1936

Livro de Jeremias 18,18-20.
Os inimigos de Jeremias disseram entre si: «Vamos fazer uma conspiração contra Jeremias, pois não nos faltará a instrução de um sacerdote nem o conselho de um sábio nem o oráculo de um profeta. Vamos feri-lo com a difamação, sem fazermos caso do que ele disser».
«Ajudai-me, Senhor, escutai a voz dos meus adversários.
Porventura assim se paga o bem com o mal? Eles abrem uma cova para me tirar a vida. Lembrai-Vos que me apresentei diante de Vós, para Vos falar em seu favor, para deles afastar a vossa ira».

Livro de Salmos 31(30),5-6.14.15-16.
Livrai-me da armadilha que me prepararam
porque Vós sois o meu refúgio.
Em vossas mãos entrego o meu espírito,
Senhor, Deus fiel, salvai-me.

Porque eu ouvia os gritos da multidão:
«Terror por toda a parte!»,
quando se coligaram contra mim
e decidiram tirar-me a vida.

Eu, porém, confio no Senhor:
Disse: «Vós sois o meu Deus,
nas vossas mãos está o meu destino».
Livrai-me das mãos dos meus inimigos

e de quantos me perseguem.

Evangelho segundo São Mateus 20,17-28.
Naquele tempo, enquanto Jesus Cristo subia para Jerusalém, chamou à parte os Doze e durante o caminho disse-lhes:
«Vamos subir a Jerusalém e o Filho do homem vai ser entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas que O condenarão à morte
e O entregarão aos gentios, para ser por eles escarnecido, açoitado e crucificado. Mas ao terceiro dia Ele ressuscitará».
Então a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus Cristo com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido.
Jesus Cristo perguntou-lhe: «Que queres?». Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino um à tua direita e outro à tua esquerda».
Jesus Cristo respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber?». Eles disseram: «Podemos».
Então Jesus Cristo declarou-lhes: «Bebereis do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou».
Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos.
Mas Jesus Cristo chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder.
Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servidor
e quem entre vós quiser ser o primeiro seja vosso escravo.
Será como o filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Confissões, XIII, 9
«Vamos subir a Jerusalém»
Dá-Te a mim, meu Deus, dá-Te sempre a mim. [...] Descansamos no dom do teu Espírito; aí Te gozamos, aí está o nosso bem e o nosso repouso. Aí, o amor educa-nos e o teu Espírito, que é bom, exalta a nossa baixeza, arrancando-a às portas da morte (Sl 9,14). Na vontade boa, encontramos a paz.
Um corpo, pelo seu peso, tende para o seu lugar próprio; o peso não significa necessariamente ir para baixo, mas para o lugar próprio de cada coisa. O fogo tende para cima, a pedra para baixo [...], cada coisa para o seu lugar próprio; o óleo sobe para cima da água, a água desce para baixo do óleo. Se uma coisa não está no seu lugar, não está em repouso; mas, quando encontra o seu lugar, fica em repouso.
O meu peso é o meu amor: é ele que me leva, para onde quer que me leve. O teu dom inflama-nos e leva-nos para cima; ele abrasa-nos e nós vamos. [...] O teu fogo, o teu fogo bom, faz-nos arder e nós vamos, subimos para a paz da Jerusalém celeste – porque encontrei a minha alegria quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121,1) É para aí que a vontade boa nos conduz porque esse é o nosso lugar; aí, onde nada mais desejaremos do que permanecer assim para toda a eternidade.


Quinta-feira, dia 01 de Março de 2018

Quinta-feira da 2.ª da Quaresma

Assim fala o Senhor: «Maldito o homem que confia no homem e põe na carne a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor.
Será como o cardo na estepe que nem percebe quando chega a felicidade; habitará na aridez do deserto, terra salobre e inóspita.
Bendito o homem que confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança.
É como a árvore plantada à beira da água, que estende as raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos.
O coração é o que há de mais astucioso e incorrigível. Quem o pode entender?
Posso Eu que sou o Senhor: penetro os corações, sondo os mais íntimos sentimentos para retribuir a cada um segundo o seu caminho, conforme o fruto das suas obras».

Livro de Salmos 1,1-2.3.4.6.
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios
nem se detém no caminho dos pecadores,
mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite.

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

Evangelho segundo São Lucas 16,19-31.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo aos fariseus: «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias.
Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas.
Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.
Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado.
Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua porque estou atormentado nestas chamas’.
Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado.
Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’.
O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna
– pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’.
Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’.
Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’.
Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos’».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
14.ª homilia sobre o amor aos pobres, 38.40
«Um pobre [...] jazia junto do seu portão»
«Felizes os misericordiosos», diz o Senhor, «pois alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). A misericórdia não é a menor das bem-aventuranças: «feliz o que compreende o pobre e o fraco» (Sl 71,13) e também: «o homem bom compadece-se e partilha» (Sl 111,5) e ainda: «sempre o justo se compadece e empresta» (Sl 36,26). Tornemos, pois esta nossa bem-aventurança: saibamos compreender, sejamos bons.
Nem a noite deve deter a tua misericórdia; «não digas: volta amanhã e logo te darei» (Prov 3,28). Que não haja hesitação entre a tua primeira reacção e a tua generosidade. [...] «Partilha o teu pão com aquele que tem fome, recolhe em tua casa o infeliz sem abrigo» (Is 58,7) e fá-lo de boa vontade. «Aquele que exerce a misericórdia», diz São Paulo, «que o faça com alegria» (Rom 12,8).
O teu mérito será redobrado pelo teu zelo; uma dádiva feita de má vontade ou por obrigação não tem graça nem fulgor. É com um coração em festa e sem lamentos que devemos fazer o bem. [...] Então a luz jorrará como a aurora e as nossas forças não tardarão a restabelecer-se. E haverá quem não deseje a luz e a cura? [...]
Por isso, servidores de Jesus Cristo, seus irmãos e seus co-herdeiros (Gal 4,7), sempre que tenhamos oportunidade, visitemos Jesus Cristo, alimentemos Jesus Cristo, agasalhemos Jesus Cristo, abriguemos Jesus Cristo, honremos Jesus Cristo (cf Mt 25,31s). Não só sentando-O à nossa mesa, como alguns fizeram ou cobrindo-O de perfumes, como Maria Madalena (= de Magdala) ou participando na sua sepultura, como Nicodemos. [...] Nem com ouro, incenso e mirra, como os magos, [...] pois o Senhor do universo «quer a misericórdia e não o sacrifício» (Mt 9,13), prefere a nossa compaixão a milhares de cordeiros gordos (Miq 6,7). Apresentemos-Lhe, pois a nossa misericórdia pela mão desses infelizes que jazem hoje por terra para que, no dia em que partirmos daqui, eles nos «conduzam à morada eterna» (Lc 16,9), ao próprio Jesus Cristo, nosso Senhor.


Sexta-feira, dia 02 de Março de 2018

Sexta-feira da 2.ª semana da Quaresma

Santo do dia : Santa Inês de Praga, religiosa, +1282, São Simplício, Papa, +483

Livro de Génesis 37,3-4.12-13a.17b-28.
Jacob gostava mais de José do que dos seus outros filhos porque ele era o filho da sua velhice e mandou fazer-lhe uma túnica de mangas compridas.
Os irmãos, vendo que o pai o preferia a todos eles, começaram a odiá-lo e não eram capazes de lhe falar com bons modos.
Um dia, foram para Siquém apascentar os rebanhos do pai.
Jacob disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém. vem cá, pois quero mandar-te ir ter com eles».
José partiu à procura dos irmãos e encontrou-os em Dotain.
Eles viram-no de longe e, antes que chegasse perto, combinaram entre si a sua morte.
Disseram uns aos outros: «Aí vem o homem dos sonhos.
Vamos matá-lo e atirá-lo a uma cisterna e depois diremos que um animal feroz o devorou. Veremos então em que vão dar os seus sonhos».
Mas Rúben ouviu isto e, querendo livrá-lo das suas mãos, disse: «Não lhe tiremos a vida». Para o livrar das suas mãos e entregá-lo ao pai,
Rúben disse aos irmãos: «Não derrameis sangue. Lançai-o nesta cisterna do deserto, mas não levanteis as mãos contra ele».
Quando José chegou junto dos irmãos, eles tiraram-lhe a túnica de mangas compridas que trazia,
pegaram nele e lançaram-no dentro da cisterna, uma cisterna vazia, sem água.
Depois sentaram-se para comer. Mas, erguendo os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Galaad. Traziam camelos carregados de goma de tragacanto, resina aromática e láudano que levavam para o Egipto.
Então Judá disse aos irmãos: «Que interesse haveria em matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue?
Vamos vendê-lo aos ismaelitas, mas não lhe ponhamos as mãos porque é nosso irmão, da mesma carne que nós». Os irmãos concordaram.
Passando por ali uns negociantes de Madiã, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas que o levaram para o Egipto.

Livro de Salmos 105(104),16-17.18-19.20-21.
Deus chamou a fome sobre aquela terra e privou-os do pão que dá o sustento.
Adiante deles enviara um homem: José vendido como escravo.
Apertaram-lhe os pés com grilhões, lançaram-lhe ao pescoço uma coleira de ferro
até que se cumpriu a profecia e a palavra do Senhor o mostrou inocente.
Então o rei mandou que o soltassem, o soberano dos povos deu-lhe a liberdade
e fê-lo senhor da sua casa e governador de todos os seus domínios.

Evangelho segundo São Mateus 21,33-43.45-46.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos, em maior número do que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’.
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’.
E agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus Cristo: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?
Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».
Ao ouvirem as parábolas de Jesus Cristo, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que falava deles
e queriam prendê-l’O; mas tiveram medo do povo que O considerava profeta.

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
A videira mística, cap. 3.º, §§ 5-10
«E agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.»
«Eu sou a videira verdadeira», diz Jesus Cristo (Jo 15,1). […] Cavamos trincheiras ao redor desta vinha, quer dizer, cavamos armadilhas secretas. Ao conspirar para fazer alguém cair numa armadilha, é como se abríssemos um buraco na sua frente. É por isso que ele se lamenta, dizendo: «Cavaram uma cova diante de mim» (Sl 56,7). […] Eis um exemplo dessas armadilhas: «Trouxeram uma mulher apanhada em adultério» ao Senhor Jesus Cristo, «dizendo: “Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. E Tu, que dizes?”» (Jo 8,3ss). […] E outro: «É lícito ou não pagar tributo a César?» (Mt 22,17) […]
Mas descobriram que estas ciladas não eram prejudiciais à videira; pelo contrário, cavando tais covas, foram eles próprios que caíram dentro delas (Sl 56,7). […] Então avançaram mais um passo: não só Lhe prenderam as mãos e os pés (Sl 21,17) como Lhe perfuraram o lado com uma lança (Jo 19,34), pondo a descoberto o interior desse coração santíssimo que já tinha sido ferido pela lança do amor. No seu cântico de amor, o Esposo diz: «Feriste-me o coração, irmã, minha esposa» (Cant 4,9 Vulg). Senhor Jesus Cristo, o teu coração foi ferido de amor pela tua esposa, tua amiga, tua irmã. Era necessário que fosses ainda ferido pelos teus inimigos? O que fazeis vós, inimigos? […] Não sabeis que esse coração do Senhor Jesus Cristo já está morto, já foi aberto, já não pode ser sofrer mais? O coração do Esposo, do Senhor Jesus Cristo já recebeu a ferida do amor, a morte do amor. Que outra morte poderia ele sofrer? […] Os mártires também se riem quando são ameaçados, alegram-se quando são atingidos, triunfam quando são mortos. Porquê? Porque já estão mortos de amor em seu coração, «mortos para o pecado» (Rom 6,2) e para o mundo. […]
O coração de Jesus Cristo foi, portanto, ferido e morto por nós […]; a morte física triunfou por momentos, mas para ser vencida para sempre. Foi destruída quando Jesus Cristo ressuscitou dos mortos porque «a morte já não tem domínio sobre Ele» (Rom 6,9).


Sábado, dia 03 de Março de 2018

Sábado da 2.ª semana da Quaresma

Apascentai o vosso povo com a vossa vara, o rebanho da vossa herança que vive isolado na selva, no meio de uma terra frutífera, para que volte a apascentar-se em Basã e Galaad, como nos dias de outrora.
Mostrai-nos prodígios, como nos dias em que saístes da terra do Egipto.
Qual é o deus semelhante a Vós que perdoa o pecado e absolve a culpa deste resto da vossa herança? Não guarda para sempre a sua ira porque prefere a misericórdia.
Ele voltará a ter piedade de nós, pisará aos pés as nossas faltas, lançará para o fundo do mar todos os nossos pecados.
Mostrai a Jacob a vossa fidelidade e a Abraão a vossa misericórdia, como jurastes aos nossos pais, desde os tempos antigos.

Livro de Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.

Não está sempre a repreender
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.

Como a distância da Terra aos céus,
assim é grande a sua misericórdia para os que O adoram.
Como o Oriente dista do Ocidente
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

Evangelho segundo São Lucas 15,1-3.11-32.
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus Cristo para O ouvirem.
Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles».
Jesus Cristo disse-lhes então a seguinte parábola:
e Jesus disse-lhes ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos.
Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta.
Tendo gastado tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações.
Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra que o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância e eu aqui a morrer de fome!
Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti.
Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’.
Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.
Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.
Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos
porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa.
Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo porque ele chegou são e salvo’.
Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele.
Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos.
E agora, quando chegou esse teu filho que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’.
Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

Tradução litúrgica da Bíblia

Comentário do dia:
Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense
2.º Sermão para a Festa de Todos os Santos §§ 13-20
«Então caindo em si, disse: [...] eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai»
«Felizes os que choram porque serão consolados» (Mt 5,4). Com estas palavras, o Senhor quer fazer-nos compreender que o caminho da alegria são as lágrimas. Pela desolação chega-se à consolação; é perdendo a vida que a encontramos, rejeitando-a que a possuímos, odiando-a que a amamos, desprezando-a que a salvamos (cf Lc 9,23s). Se queres conhecer-te a ti mesmo e superar-te, entra dentro de ti e não te procures fora de ti. [...] Cai em ti, pecador, cai onde existes verdadeiramente: no teu coração. Exteriormente, és um animal, à imagem do mundo [...]; interiormente, és um homem, à imagem de Deus (Gn 1,26) e por isso capaz de ser deificado.
Será por isso, irmãos, que o homem que cai em si se sente distante, como o filho pródigo, numa região diferente, numa terra estrangeira, onde é maltratado e chora ao lembrar-se de seu pai e da sua pátria? [...] «Adão, onde estás?» (Gn 3,9) Talvez ainda na sombra para não te veres a ti mesmo: cosendo as folhas da vaidade umas às outras para cobrires a tua vergonha (Gn 3,7), olhando o que está em teu redor e o que é teu porque os teus olhos são grandes aberturas para tais coisas. Mas olha para dentro de ti, olha para ti: é aí que se encontra o teu maior motivo de vergonha. [...]
É evidente, irmãos: em parte vivemos exteriormente a nós. [...] É por isso que a Sabedoria tem sempre no coração o convite para a casa do luto antes de o fazer para a casa do banquete (Eccl 7,3); ou seja, chama para dentro de si mesmo o homem que estava fora de si próprio, dizendo: «Felizes os que choram» e também: «Ai de vós, os que agora rides» (Lc 6,25). [...] Meus irmãos, choremos na presença do Senhor: que a sua bondade O leve a perdoar-nos. [...] Felizes os que choram, não porque choram, mas porque serão consolados. As lágrimas são o caminho; a consolação é a bem-aventurança.
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