sábado, 12 de dezembro de 2015

Cristianismo 136 até 12-12-2015



"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68

Domingo, dia 06 de Dezembro de 2015

2º Domingo do Advento - Ano C


Festa da Igreja : Segundo Domingo do Advento (semana II do saltério)
Santo do dia : S. Nicolau, bispo, +342

Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus.
Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno.
Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu;
Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade».
Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles.
Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo como filhos de reis.
Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales para se aplanar a terra a fim de que Israel possa caminhar em segurança na glória de Deus.
Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel
por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria à luz da sua glória com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.

Livro de Salmos 126(125),1-2ab.2cd-3.4-5.6.
Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria.
Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos
como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.
À ida, vão a chorar,

levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.


Carta aos Filipenses 1,4-6.8-11.
Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós,
recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho desde o primeiro dia até ao presente.
Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus.
Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus.
Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento
para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Jesus Cristo
na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.
Evangelho segundo S. Lucas 3,1-6.
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene,
no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.
E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados
como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas
e toda a criatura verá a salvação de Deus’».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre São Lucas, n.º 22, 1-3
“Preparai o caminho do Senhor”
Está escrito sobre João: «Uma voz grita no deserto: "Preparai os caminhos do Senhor, endireitar as suas veredas”.» Mas o que vem a seguir diz respeito exclusivamente ao Senhor, nosso Salvador. Porque não foi João quem «aplanou os vales», mas o Senhor, nosso Salvador. Considere cada um o que era antes de ter fé e constatará que era um vale profundo, a pique, mergulhado nos abismos. Mas veio o Senhor Jesus e enviou o Espírito Santo em seu lugar; foi então que «os vales foram aplanados». Eles foram aplanados com as boas obras e os frutos do Espírito Santo. A caridade não deixa subsistir em ti vale algum e, se possuíres a paz, a paciência e a bondade, para além de deixares de ser um vale, também começarás a ser uma montanha de Deus. […]
«As montanhas e as colinas serão abaixadas.» Nestas montanhas e nestas colinas abaixadas, podemos ver os poderes inimigos que se erguiam contra os homens. Com efeito, para que os vales de que falamos sejam aplanados, os poderes inimigos, as montanhas e as colinas, terão de ser abaixados.
Mas vejamos se a profecia seguinte, que diz respeito ao advento de Jesus Cristo, se realizou. Com efeito, o texto diz em seguida: «E todos os caminhos tortuosos serão endireitados.» Todos nós éramos tortuosos [...] e a vinda de Jesus Cristo à nossa alma endireitou tudo quanto era tortuoso. […] Rezemos para que o seu advento se realize todos os dias em nós e para que possamos dizer: «Já não sou eu que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20).

Segunda-feira, dia 07 de Dezembro de 2015

Segunda-feira da 2a semana do Advento


Santo do dia : Santo Ambrósio, bispo, Doutor da Igreja, +397

Livro de Isaías 35,1-10.
Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso,
exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.
Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus que vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos».
Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos.
Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície;
a terra seca transformar-se-á em lago e a terra sequiosa em nascentes de água. No covil dos chacais crescerão canas e juncos.
Aí haverá uma estrada que se chamará «caminho sagrado»; nenhum homem impuro passará por ele e nele os insensatos não se perderão.
Nesse caminho não haverá leões nem andarão por ali animais ferozes
Por ele caminharão os resgatados e voltarão os que tiver libertado o Senhor. Hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão a felicidade e o contentamento acabarão a dor e os gemidos.
Livro de Salmos 85(84),9ab-10.11-12.13-14.
Escutemos o que diz o Senhor:
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está perto dos que O adoram
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.

Evangelho segundo S. Lucas 5,17-26.
Certo dia, enquanto Jesus Cristo ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas.
Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus Cristo.
Como não encontraram modo de o introduzir por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus.
Ao ver a fé daquela gente, Jesus Cristo disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados».
Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?»
Mas Jesus Cristo que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações?
Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’?
Pois bem, para saberdes que o Filho (do homem) tem na Terra o poder de perdoar os pecados, Eu te ordeno — disse Ele ao paralítico — levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa».
Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus.
Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense
Sermão para a Natividade
«Quem pode perdoar pecados a não ser Deus?»
Ó infeliz Adão! Que procuravas tu para além da presença divina? Mas, ingrato, aí estás tu a ruminar o mal que fizeste: «Não, eu serei como Deus!» (cf Gn 3,5) Que orgulho intolerável! Acabas de ser feito de barro e de lodo e, na tua insolência, queres ser comparável a Deus? [...] Foi assim que o orgulho engendrou a desobediência, causa da nossa infelicidade. [...]

Que humildade poderia compensar tal orgulho? Que obediência de homem poderia redimir semelhante falta? Cativo, como poderia ele libertar um cativo? Impuro, poderia ele libertar um impuro? Meu Deus, irá então a vossa criatura perecer? «Ter-se-á Deus esquecido da sua compaixão ou terá fechado com ira o seu coração?» (Sl 77,10) Oh, não! «Os desígnios que tenho acerca de vós [são] desígnios de prosperidade e não de calamidade», diz o Senhor (Jr 29,11).
Apressa-Te então, Senhor: vem depressa! Vê as lágrimas dos pobres. Escuta, «chegue junto de Ti o gemido dos cativos» (Sl 79,11). Que tempo de felicidade, que dia amado e desejado surgirá quando a voz do Pai gritar: «Por causa da aflição dos humildes e dos gemidos dos pobres, Me levantarei» (Sl 12,6). [...] Sim, «Salva-nos, Senhor, pois cada vez há menos justos!» (Sl 12,2).

Terça-feira, dia 08 de Dezembro de 2015

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA, Padroeira principal de Portugal - Solenidade


Festa da Igreja : Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria
Calendário da Igreja disponível este dia

Livro de Génesis 3,9-15.20.
Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?».
Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me».
Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira de comer?».
Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi».
O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?». E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi».
Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida.
Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta há-de atingir-te na cabeça e tu a atingirás no calcanhar».
O homem deu à mulher o nome de Eva porque ela foi a mãe de todos os viventes.(protótipo da mulher do universo das trevas/do mal/ das paixões…)
Livro de Salmos 98(97),1.2-3ab.3bc-4.
Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

em favor da casa de Israel.
Os confins da Terra puderam ver
Aclamai o Senhor, Terra inteira,
exultai de alegria e cantai.


Carta aos Efésios 1,3-6.11-12.
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Jesus Cristo.
N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença.
Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo,
para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho.
Em Jesus Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade
para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Jesus Cristo.
Evangelho segundo S. Lucas 1,26-38.
Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré,
a uma Virgem desposada com um homem chamado José que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria.
Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.
Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;
reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?».
O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.
E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril
porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Missal Romano
«Preservaste-a de todo o pecado por uma graça que vinha já da morte do teu Filho» (oração colecta da festa)

Pai Santo,
Deus eterno e omnipotente,
é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação
agradecer-Vos sempre e em toda a parte
e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos
na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.
Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original
para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça,
fosse a digna Mãe do vosso Filho.
Nela destes início à Santa Igreja, esposa de Jesus Cristo, sem mancha e sem ruga,
resplandecente de beleza e santidade.
Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho,
Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo.
Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada de graça e modelo de santidade.
Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a Vossa glória, cantando numa só voz:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo!

Prezados leitores
A 8 de dezembro de 1965, o Concílio Ecuménico Vaticano II acabava os seus trabalhos. Por ocasião do encerramento, o Beato Paulo VI dizia: «Uma corrente de afecto e de admiração transbordou do Concílio sobre o mundo humano moderno. Foram denunciados erros. Sim, porque essa é a exigência da caridade bem como da verdade, mas, no que toca às pessoas, houve apenas consideração, respeito e amor. Em vez de diagnósticos deprimentes, houve remédios encorajantes; em vez de presságios funestos, foram enviadas mensagens de confiança do Concílio para o mundo contemporâneo: os seus valores foram não só respeitados, mas honrados; os seus esforços apoiados, as suas aspirações purificadas e abençoadas… e toda esta riqueza doutrinal só teve um objectivo: servir o homem.»
50 anos mais tarde, o Papa Francisco, com a sua visão sobre o mundo actual e os seus problemas, proclama um Ano Jubilar da Misericórdia. Propõe-nos que acolhamos o amor misericordioso do nosso Deus e que vivamos a misericórdia que ele considera «a trave mestra da vida da Igreja». E convida cada cristão a ser Misericordioso como o Pai. Aliás o Papa inspira-se na palavra de Jesus Cristo que S. Lucas nos transmite: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36).
Ao longo deste ano litúrgico que começou, somos precisamente conduzidos nas celebrações de cada domingo pelo evangelista Lucas, aquele que nos mostra de uma maneira mais original a misericórdia nas palavras e nos actos de Jesus Cristo, o «rosto da misericórdia de Deus».
Desejemo-nos, pois uns aos outros que vivamos o Ano Jubilar animados por este espírito, na esperança e na alegria. 
A equipa do Evangelho Quotidiano em língua portuguesa

Quarta-feira, dia 09 de Dezembro de 2015

Quarta-feira da 2a semana do Advento


Santo do dia : S. João Diogo, indígena mexicano, vidente de Guadalupe, séc. XVI, Beato Bernardo Maria Silvestrelli, presbítero, +1911, Santa Leocádia, virgem, mártir, +304

Livro de Isaías 40,25-31.
«A quem Me comparareis que seja semelhante a Mim? — diz o Deus Santo.
Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força e tão grande é o seu poder que nenhuma falta à chamada.
Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: ‘O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao Senhor Deus’? Não o sabes, não o ouvistes dizer?
O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável.
Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido.
Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam.
Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem».
Livro de Salmos 103(102),1-2.3-4.8.10.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.


Evangelho segundo S. Mateus 11,28-30.
Naquele tempo, Jesus Cristo exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso
porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
São Beda, o Venerável (c. 673-735), monge beneditino, doutor da Igreja
Homilia 12 para a vigília de Pentecostes
«Tomai sobre vós o meu jugo [...] e encontrareis repouso»
O Espírito Santo dará aos justos a paz perfeita na eternidade. Mas, já agora, dá-lhes uma enorme paz quando incendeia o seu coração com o fogo celeste da caridade. O apóstolo Paulo diz, com efeito: «A esperança não engana, pois o amor de Jesus Cristo foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom 5,5). A verdadeira e mesmo a única paz das almas neste mundo consiste em estarmos repletos do amor divino e animados com a esperança do céu a ponto de considerarmos de pouca importância os sucessos e as tribulações deste mundo; em nos despojarmos completamente dos desejos e das cobiças deste mundo e em nos regozijarmos com as injúrias e perseguições sofridas por causa de Jesus Cristo, de tal forma que possamos dizer com o apóstolo Paulo: «Estamos firmes na esperança da glória de Deus. E não só. Estamos firmes nas tribulações» (Rom 5,2).
Engana-se aquele que imagina encontrar a paz no gozo dos bens deste mundo e nas riquezas. As frequentes provações cá de baixo e o próprio fim deste mundo deveriam convencer esse homem de que assentou os fundamentos da sua paz na areia (Mt 7,26). Pelo contrário, todos aqueles que, tocados pelo sopro do Espírito Santo, tomaram sobre si o jugo do amor de Deus e, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, aprenderam a ser mansos e humildes de coração, gozam desde já de uma paz que é a imagem do repouso eterno.

Quinta-feira, dia 10 de Dezembro de 2015

Quinta-feira da 2a semana do Advento


Festa da Igreja : Nossa Senhora do Loreto
Santo do dia : Santa Eulália, virgem, mártir, +304

Livro de Isaías 41,13-20.
«Sou Eu, o Senhor Deus, que te seguro pela mão direita e te digo: ‘Não temas, Eu venho em teu auxílio’.
Não temas, pobre verme de Jacob, bichinho de Israel. Eu venho socorrer-te — oráculo do Senhor—, o teu redentor é o Santo de Israel.
Eu te converterei em trilho aguçado, novo e bem cortante; calcarás e triturarás os montes e transformarás em palha as colinas.
Hás-de joeirá-los e o vento os levará, o vendaval os dispersará. Mas tu exultarás no Senhor e te gloriarás no Santo de Israel.
Os infelizes e os pobres buscam água e não a encontram e a sua língua está ressequida pela sede. Eu, o Senhor, os atenderei; Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei.
Farei brotar rios nos montes escalvados e fontes por entre os vales. Transformarei o deserto em lago e a terra seca em nascentes de água.
No deserto farei crescer o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; na estepe plantarei o cipreste, o olmo e o pinheiro
para que todos vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez estas coisas, que o Santo de Israel as realizou».
Livro de Salmos 145(144),1.9.10-11.12-13ab.
Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,
e bendizer o vosso nome para sempre.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

Agradeçam-Vos, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

Dêem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso reino.
O vosso reino é um reino eterno,
o vosso domínio estende-se por todas as gerações.


Evangelho segundo S. Mateus 11,11-15.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele.
Desde os dias de João Baptista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele.
Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João.
É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir.
Quem tem ouvidos oiça».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, 1.ª série, n.º 19
A violência que se apodera do Reino
Que mais nada te impeça de te unires a Jesus Cristo. [...] Reza sem esperares, suplica de todo o coração, pede ardentemente até que recebas. Não abrandes. Essas coisas ser-te-ão dadas se, com toda a tua fé, te obrigares a confiar a Deus a tua preocupação e substituíres a tua previdência pela providência de Deus. Quando Ele vir a tua vontade, quando Ele vir que, em total pureza de coração, confias mais nele que em ti próprio e te obrigas a esperar mais nele que nas tuas forças, então este poder que desconheces virá fazer em ti a sua morada. E sentirás em todos os teus sentidos o poder daquele que está incontestavelmente contigo. Graças a este poder, muitos entram no fogo e não temem, caminham sobre as águas e não hesitam.

Sexta-feira, dia 11 de Dezembro de 2015

Sexta-feira da 2a semana do Advento


Santo do dia : S. Dâmaso I, papa, +384

Livro de Isaías 48,17-19.
Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir.
Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar.
A tua posteridade seria como a areia, como os seus grãos, os frutos do teu ventre. O teu nome não seria aniquilado nem destruído diante de mim.»
Livro de Salmos 1,1-2.3.4.6.
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios
nem se detém no caminho dos pecadores,
mas antes se compraz na lei do Senhor
e nela medita dia e noite.

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.


Evangelho segundo S. Mateus 11,16-19.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças que se interpelam uns aos outros, dizendo:
“Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes”.
Veio João Baptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele.
Veio o Filho (do homem), que come e bebe, e dizem: ‘É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Liturgia latina
Conditor alme siderum, hino de Vésperas durante o Advento
Converter-se aos apelos do Deus que vem
Ó Dulcíssimo Criador dos Céus,
Luz eterna dos que em Ti crêem,
Ó Jesus Cristo, Salvador do universo,
Ouve a voz dos que Te suplicam!

Vendo este mundo coberto de morte,
No teu amor, tiveste piedade;
E para o salvares dos seus males,
Vieste curá-lo dos seus pecados.

Quando chegou a plenitude dos tempos,
Uma Virgem Te deu à luz;
Foi como esposo em sua casa
Que saíste daquele seio puríssimo (cf Sl 18,5).

A Ti, que virás julgar o mundo,
Ó Deus Santíssimo, nós Te suplicamos:
Liberta-nos do nosso inimigo
E guarda-nos durante toda a nossa vida.

À tua face e ao teu poder
Todo o joelho deverá dobrar-se;
E na Terra como nos Céus,
Tudo submeter-se ao teu domínio.

Louvor, honra, poder e glória
A Deus Pai e a seu Filho,
Ao Espírito, nosso Defensor,
Pela eternidade sem fim.

Sábado, dia 12 de Dezembro de 2015

Sábado da 2.a semana do Advento

Naqueles dias, apareceu como um fogo o profeta Elias e as suas palavras queimavam como um facho ardente.
Fez vir a fome sobre os israelitas e, no seu zelo, reduziu-os a poucos.
Com a palavra do Senhor fechou o céu e por três vezes fez descer o fogo.
Como foste admirável, Elias, pelos teus prodígios! Quem se pode gloriar de ser como tu?
Foste arrebatado num turbilhão de chamas (Espírito Santo) e num carro puxado por cavalos de fogo;
foste preparado para, em determinado tempo, aplacares a ira divina antes que ela se inflame, para reconciliares o coração dos pais com os filhos e restabeleceres as tribos de Jacob.
Felizes os que te viram e os que morreram no amor porque também nós certamente viveremos.
Livro de Salmos 80(79),2ac.3b.15-16.18-19.
Pastor de Israel, escutai,
Vós estais sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;
protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.


Evangelho segundo S. Mateus 17,10-13.
Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus Cristo: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?»
Jesus Cristo respondeu-lhes: «Certamente Elias há-de vir para restaurar todas as coisas.
Eu vos digo, porém que Elias já veio; mas em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho (do homem) será maltratado por eles».
Então os discípulos compreenderam que Jesus Cristo lhes falava de João Baptista.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, III, 10-11
«Eu vos declaro: Elias já veio»

A propósito de João Baptista, lemos em Lucas: «Será grande diante do Senhor e trará muitos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. Caminhará diante dele com o espírito e o poder de Elias a fim de preparar para o Senhor um povo com boas disposições» (Lc 1,15s). Para quem preparou ele um povo e diante de que Senhor é grande? Diante daquele que disse que João era «mais do que um profeta» e que «de entre os filhos de mulher, nenhum é maior do que João Baptista» (Mt 11,9.11). Porque João preparou um povo anunciando a vinda do Senhor aos seus companheiros de servidão e pregando-lhes a penitência para que, quando o Senhor chegasse, eles estivessem em estado de receber o seu perdão, de regressar Àquele de quem se tinham afastado pelos seus pecados e as suas transgressões. [...] Por isso, ao trazê-los de volta para o Senhor, João preparava para o Senhor um povo com boas disposições, com o espírito e com o poder de Elias. [...]
O evangelista João diz-nos: «Houve um homem enviado por Deus; o seu nome era João. Tinha vindo como testemunha para dar testemunho da luz. Ele não era a luz, mas vinha para dar testemunho da luz» (1,6-8). Esse precursor, João Baptista, que dava testemunho da luz (vindo do mundo da luz), foi enviado pelo Deus que [...] tinha prometido por meio dos profetas enviar o seu mensageiro diante de seu Filho para Lhe preparar o caminho (Ml 3,1; Mc 1,2), quer dizer, para dar testemunho da luz com o espírito e com o poder de Elias. [...] Precisamente porque João é uma testemunha, o Senhor diz que ele é mais do que um profeta. Todos os outros profetas anunciaram a vinda da luz do Pai e desejaram ser julgados dignos de ver Aquele que pregavam. João profetizou como eles, mas viu-O presente, mostrou-O e convenceu muitos a crerem nele, de tal forma que ocupou simultaneamente o lugar de profeta e de apóstolo. Foi por isso que Jesus Cristo disse que ele era «mais do que um profeta».
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sábado, 5 de dezembro de 2015

Cristianismo 135 até 05-12-2015


"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68

Domingo, dia 29 de Novembro de 2015

1º Domingo do Advento - Ano C

Eis o que diz o Senhor: «Dias virão em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá:
Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na Terra.
Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».
Livro de Salmos 25(24),4bc-5ab.8-9.10.14.
Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
O Senhor trata com familiaridade os que O adoram
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.


1ª Carta aos Tessalonicenses 3,12-13.4,1-2.
Irmãos: O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco.
O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus Cristo, nosso Senhor, com todos os santos.
Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus Cristo: recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais.
Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus Cristo.
Evangelho segundo S. Lucas 21,25-28.34-36.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na Terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar.
Os homens morrerão de pavor na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas.
Então hão-de ver o Filho (do homem) vir numa nuvem com grande poder e glória.
Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça porque a vossa libertação está próxima.
Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida e esse dia não vos surpreenda subitamente
como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da Terra.
Portanto vigiai e orai em todo o tempo para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho (do homem)».
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermão para o domingo e a festa dos santos, 3.º domingo do Advento
As duas vindas do Senhor
«Alegrai-vos no Senhor, repito-vos: alegrai-vos» (Fil 4,4). Alegria dupla, motivada por um duplo benefício: a primeira e a segunda vindas. Devemos alegrar-nos porque o Senhor, na sua primeira vinda, nos trouxe riquezas e glória. Devemos alegrar-nos ainda porque, na sua segunda vinda, nos dará «dias sem conta, pelos séculos fora» (Sl 20,5). Como diz o Livro dos Provérbios: «na sua mão direita sustenta uma longa vida, na esquerda, riquezas e glória» (Prov 3,16). A esquerda é a primeira vinda com as suas riquezas gloriosas, a humildade e a pobreza, a paciência e a obediência; a direita é a sua segunda vinda, com a vida eterna.
Sobre a primeira vinda, diz Isaías: «Desperta, desperta; reveste-te de fortaleza, braço do Senhor; desperta como nos dias antigos, como nos tempos de outrora. Não foste tu que esmagaste Raab, que trespassaste o dragão? Não foste tu que secaste o mar, que estancaste as águas do grande oceano, que abriste um caminho pelo fundo do mar para que por aí passassem os resgatados?» (Is 51,9-10) O braço do Senhor é Jesus Cristo, o Filho (de Deus), por quem e em quem Deus fez todas as coisas. [...] Ó braço do Senhor, ó Filho de Deus, desperta; vem até nós da glória de teu pai, tomando a nossa condição carnal. Reveste-Te da força divina para lutares contra o «príncipe deste mundo» (Jo 12,31) e para «expulsares o forte», Tu que és «mais forte do que ele» (Lc 11,20-22). Desperta para resgatares o género humano como libertaste, nos tempos antigos, o povo de Israel da escravatura do Egipto. [...] Secaste o Mar Vermelho e voltarás a fazê-lo [...] como abriste no fundo do inferno a estrada por onde passam os redimidos.
Sobre a segunda vinda, o Senhor fala nestes termos em Isaías: «Olhai, vou criar uma Jerusalém destinada à alegria e o seu povo ao júbilo. Jerusalém será a minha alegria e o meu povo o meu júbilo e doravante não mais se ouvirão aí choros nem lamentos» (Is 65,18-19) porque, como Ele disse também, «o Senhor enxugará as lágrimas de todos os rostos».

Segunda-feira, dia 30 de Novembro de 2015

S. André, Apóstolo – Festa

Santo do dia : Santo André, apóstolo

Carta aos Romanos 10,9-18.
Irmãos: Se confessares com a tua boca: «Jesus Cristo é o Senhor» e acreditares no teu coração que o Senhor Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo.
É que acreditar de coração leva a obter a justiça e confessar com a boca leva a obter a salvação.
É a Escritura que o diz: Todo o que nele acreditar não ficará frustrado.
Assim não há diferença entre judeu e grego, pois todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam.
De facto, todo o que invocar o nome do Senhor será salvo. Culpa de Israel: a falta de fé.
Ora como hão-de invocar aquele em quem não acreditaram? E como hão-de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar sem alguém que o anuncie?
E como hão-de anunciar, se não forem enviados? Por isso está escrito: Que bem-vindos são os pés dos que anunciam as boas-novas!
Porém nem todos obedeceram à Boa-Nova. É Isaías quem o diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?
Portanto a fé surge da pregação e a pregação surge pela palavra de Jesus Cristo.
Mas, pergunto eu, será que não a ouviram? Pelo contrário: A voz deles ressoou por toda a terra e até aos confins do mundo as suas palavras.
Livro de Salmos 19(18),2-3.4-5.
Os céus proclamam a glória de Deus
e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
O dia transmite ao outro esta mensagem
e a noite a dá a conhecer à outra noite.

Não são palavras nem linguagem
cujo sentido se não perceba.
O seu eco ressoou por toda aTterra
e a sua notícia até aos confins do mundo.


Evangelho segundo S. Mateus 4,18-22.
Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus Cristo viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.»
E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes dentro do barco. Chamou-os e
eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n°14, 2
«Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens»
Que pescaria admirável a do Salvador! Admirai a fé e a obediência dos discípulos. Como sabeis, a pesca exige uma atenção ininterrupta. Ora no meio da sua labuta, eles ouvem o chamamento de Jesus Cristo e não hesitam um instante, dizendo por exemplo: «Deixa-nos ir a casa falar com a nossa família.» Não, deixam tudo e seguem-No como Eliseu fez com Elias (1Rs 19,20). Esta é a obediência que Jesus Cristo nos pede: sem a menor hesitação, mesmo que necessidades aparentemente mais urgentes nos pressionem. Foi por isso que quando um jovem que queria segui-Lo Lhe pediu para ir primeiro sepultar o pai, Ele não lho permitiu (Mt 8,21). Seguir Jesus Cristo, obedecer à sua palavra, é um dever que tem prioridade sobre todos os outros.
Dir-me-ás talvez que a promessa que Ele lhes fazia era muito grande. Mas é por isso que os admiro tanto: embora não tendo ainda assistido a nenhum milagre, eles acreditaram nessa promessa tão grande e renunciaram a tudo para O seguir! E fizeram-no por acreditarem que, com as mesmas palavras com que eles próprios haviam sido como que pescados, também eles poderiam pescar outros.

Terça-feira, dia 01 de Dezembro de 2015

Terça-feira da 1a semana do Advento

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de amor de Deus.
Animado assim do amor de Deus, não julgará segundo as aparências nem decidirá pelo que ouvir dizer.
Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio.
A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos.
O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir.
A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado e o leão comerá feno como o boi.
A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora.
Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país como as águas enchem o leito do mar.
Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.
Livro de Salmos 72(71),2.7-8.12-13.17.
Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.

O seu nome será eternamente bendito
e durará tanto como a luz do sol;
nele serão abençoadas todas as nações,
todos os povos o hão de bendizer.

Evangelho segundo S. Lucas 10,21-24.
Naquele tempo, Jesus Cristo exultou de alegria pela acção do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da Terra porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do teu agrado.
Tudo Me foi entregue por meu Pai e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar».
Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que vêem o que estais a ver
porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram».
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra os Hereges
«Muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes»
Desde o princípio, Deus criou o homem para os seus dons. Ele escolheu os patriarcas com vista à salvação e preparou para Si um povo, ensinando os ignorantes a seguirem o rasto de Deus. Em seguida, instruiu os profetas para habituar os homens a acolherem o seu Espírito neste mundo e a entrarem em comunhão com Deus. Ele não precisava de ninguém; mas, àqueles que precisavam dele, ofereceu a sua comunhão. Para esses, em quem pôs a sua complacência (Lc 2,14), concebeu antecipadamente, qual arquitecto, o edifício da salvação: nas trevas do Egipto, fez-se Ele próprio o seu guia; no deserto, onde erravam, deu-lhes uma lei apropriada e àqueles que entraram na terra prometida, ofereceu-lhes uma herança escolhida; enfim para todos os que regressam ao Pai, mata o cordeiro gordo e oferece-lhes uma veste preciosa (Lc 15,22).
Assim Deus dispôs o género humano de várias maneiras, com vista «à música e às danças» da salvação (Lc 12,25). É por essa razão que João escreve no Apocalipse: «E a sua voz era a voz das grandes águas» (Ap 1,15). É que são de facto múltiplas as águas do Espírito de Deus, pois o Pai é rico e grande. E passando por tudo isto, o Verbo concedeu generosamente a sua assistência aos que Lhe estavam submetidos, dando a toda a criatura prescrições apropriadas.

Quarta-feira, dia 02 de Dezembro de 2015

Quarta-feira da 1a semana do Advento

Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos.
Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações;
Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da Terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor o falou.
Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos porque nos salvou.
A mão do Senhor pousará sobre este monte».
Livro de Salmos 23(22),1-3a.3b-4.5.6.
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

Evangelho segundo S. Mateus 15,29-37.
Naquele tempo, foi Jesus Cristo para junto do mar da Galileia e, subindo ao monte, sentou-se.
Veio ter com Ele uma grande multidão, trazendo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros que lançavam a seus pés. Ele curou-os,
de modo que a multidão ficou admirada ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficar sãos, os coxos a andar e os cegos a ver e todos davam glória ao Deus de Israel.
Então Jesus Cristo, chamando a Si os discípulos, disse-lhes: «Tenho pena desta multidão porque há três dias que estão comigo e não têm que comer. Mas não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam no caminho».
Disseram-Lhe os discípulos: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?»
Jesus Cristo perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Eles responderam-Lhe: «Sete e alguns peixes pequenos».
Jesus Cristo ordenou então às pessoas que se sentassem no chão.
Depois tomou os sete pães e os peixes e, dando graças, partiu-os e foi-os entregando aos discípulos e os discípulos distribuíram-nos pela multidão.
Todos comeram até ficarem saciados. E com os pedaços que sobraram encheram sete cestos.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Catecismo da Igreja Católica
§§ 1402-1405 - Copyright © Libreria Editrice Vaticana
O nosso pão no deserto: a Eucaristia, penhor da glória futura
Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa da Senhor, se pela nossa comunhão no altar somos cumulados da «plenitude das bênçãos e graças do céu» (cânone romano), a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste. Na última ceia, o próprio Senhor chamou a atenção dos seus discípulos para a consumação da Páscoa no Reino de Deus: «Eu vos digo que não voltarei a beber deste fruto da videira até o dia em que beberei convosco o vinho novo no Reino do meu Pai» (Mt 26, 29). Sempre que a Igreja celebra a Eucaristia, lembra-se desta promessa e o seu olhar volta-se para «Aquele que vem» (Ap 1, 4). Na sua oração, ela clama pela sua vinda: «Marana tha» (1Cor 16, 22), «Vem, Senhor Jesus Cristo!» (Ap 22, 20), «que a tua graça venha e que este mundo passe!» (Didaké).
A Igreja sabe que, desde já, o Senhor vem na sua Eucaristia e que está ali, no meio de nós. Mas esta presença é velada. E é por isso que celebramos a Eucaristia «enquanto aguardamos a feliz esperança e a vinda de Jesus Cristo nosso Salvador» (Tit 2,3), pedindo a graça de ser acolhidos «com bondade no vosso Reino, onde também nós esperamos ser recebidos para vivermos [...] eternamente na vossa glória quando enxugardes todas as lágrimas dos nossos olhos e, vendo-Vos tal como sois, Senhor nosso Deus, e cantaremos sem fim os vossos louvores, por Jesus Cristo nosso Senhor» (oração eucarística).
Desta grande esperança – dos novos céus e da nova Terra onde habitará a justiça (2Pe 3,13)– não temos garantia mais segura nem sinal mais manifesto do que a Eucaristia. Com efeito, cada vez que se celebra este mistério, «realiza-se a obra da nossa redenção» (Lg 3) e «partimos o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas viver em Jesus Cristo para sempre» (Santo Inácio de Antioquia).

Quinta-feira, dia 03 de Dezembro de 2015

Quinta-feira da 1a semana do Advento

Santo do dia : S. Francisco Xavier, presbítero, +1552

Livro de Isaías 26,1-6.
Naquele dia, cantarão este hino na terra de Judá: «Nós temos uma cidade forte; muralhas e fortificações foram postas para nos proteger.
Abri as portas para que entre um povo justo, um povo que pratica a fidelidade.
O seu coração está firme: dar-lhe-eis a paz porque em Vós tem confiança».
Confiai sempre no Senhor porque o Senhor é a nossa fortaleza eterna.
Humilhou os habitantes das alturas, abateu a cidade inacessível, derrubou-a por terra, arrasou-a até ao solo.
Ela é calcada aos pés, os pés dos infelizes, os passos dos pobres.
Livro de Salmos 118(117),1.8-9.19-21.25-27a.
Agradecei ao Senhor porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Mais vale refugiar-se no Senhor
do que fiar-se nos homens.
Mais vale refugiar-se no Senhor
do que fiar-se nos poderosos.

Abri-me as portas da justiça:
entrarei para agradecer ao Senhor.
Esta é a porta do Senhor:
os justos entrarão por ela.

Eu Vos agradeço porque me ouvistes
e fostes o meu Salvador.
Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.

Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós Vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.

Evangelho segundo S. Mateus 7,21.24-27.
Naquele tempo, disse Jesus Cristo aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.
Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu porque estava fundada sobre a rocha.
Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia.
Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína».
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
O presépio
«Nem todo aquele que Me diz "Senhor, Senhor" [...], mas só aquele que faz a vontade de meu Pai»

«Seja feita a Vossa vontade.» Tomado em toda a sua plenitude, este acto de abandono deve ser a regra da vida cristã, regendo o nosso dia, da manhã à noite, o curso do ano, a vida inteira. Esta deve ser a única preocupação do cristão; todas as outras são entregues ao Senhor, mas essa será nossa até ao último dia. Pois é um facto objectivo que nunca estamos definitivamente certos de permanecer nos caminhos do Senhor. [...]
Na infância da vida espiritual, quando começamos a deixar-nos conduzir por Deus, sentimos a sua mão, forte e firme, que nos guia; vemos de forma evidente o que devemos fazer e o que devemos abandonar. Mas não será sempre assim. Aquele que pertence a Jesus Cristo deve viver toda a vida de Jesus Cristo. Deve amadurecer até atingir a idade adulta de Jesus Cristo e, um dia, enveredar pelo caminho da cruz. [...] Assim unido a Jesus Cristo, o cristão aguentar-se-á, mesmo na noite escura. [...] Por isso, uma vez mais e precisamente no coração da noite mais escura, «seja feita a vossa vontade».

 

Sexta-feira, dia 04 de Dezembro de 2015

Sexta-feira da 1a semana do Advento


Santo do dia : S. João Damasceno, presbítero e doutor da Igreja, +749, Santa Bárbara, mártir, séc. IV

Livro de Isaías 29,17-24.
Assim fala o Senhor Deus: Daqui a muito pouco tempo, não há-de o Líbano transformar-se num jardim e o jardim parecer uma floresta?
Nesse dia, os surdos ouvirão ler as palavras do livro; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos tornarão a ver.
Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor e os mais pobres dos homens rejubilarão no Santo de Israel.
O tirano deixará de existir, o escarnecedor desaparecerá e serão exterminados os que só pensam no mal:
aqueles que fazem condenar os outros pelas suas palavras, os que armam ciladas no tribunal a quem promove a justiça e sem razão arruínam o justo.
Por isso, o Senhor, que libertou Abraão, assim fala à casa de Jacob: ‘Doravante Jacob não terá de que se envergonhar, o seu rosto não voltará a empalidecer
porque, ao verem no meio dele os seus filhos, obras das minhas mãos, proclamarão santo o meu nome’. Proclamarão a santidade do Santo de Jacob e adorarão o Deus de Israel.
Os espíritos desnorteados aprenderão a sabedoria e os murmuradores hão-de aceitar a instrução».

Livro de Salmos 27(26),1.4.13-14.
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é o protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

Evangelho segundo S. Mateus 9,27-31.
Naquele tempo, Jesus Cristo pôs-Se a caminho e seguiram-n’O dois cegos, gritando: «Filho de David, tem piedade de nós».
Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se d’Ele. Jesus Cristo perguntou-lhes: «Acreditais que posso fazer o que pedis?» Eles responderam: «Acreditamos, Senhor».
Então Jesus Cristo tocou-lhes nos olhos e disse: «Seja feito segundo a vossa fé».
E abriram-se os seus olhos. Jesus Cristo advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado para que ninguém o saiba».
Mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus Cristo por toda aquela terra.

Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, doutor da Igreja
Proslogion, 1
«O meu coração diz: "Procura a sua face"; é a tua face, Senhor, que eu procuro» (Sl 26, 8)

«Senhor, até quando?» (Sl 6,4). Até quando, Senhor, Te esquecerás de nós? Por quanto tempo ainda Te esconderás de nós? (Sl 12,2). Quando nos olharás e nos ouvirás? Quando iluminarás os nossos olhos e estaremos na Tua presença? Quando virás de novo até nós? Olha para nós, Senhor, ilumina-nos, mostra-Te a nós. Concede-nos o bem da tua presença, a nós que, sem Ti, nada fazemos bem. Tem piedade dos nossos esforços activos para chegarmos a Ti, nós que nada podemos sem Ti. Se nos convidas, ajuda-nos.
Suplico-Te, Senhor, não me deixes suspirar de desespero; faz-me respirar a esperança. [...] Que me seja, ao menos, permitido entrever a luz, mesmo que de longe, mesmo que das profundezas. Ensina-me a procurar-Te e mostra-Te quando Te procuro. É que não posso procurar-Te se não me guiares nem encontrar-Te se não Te mostrares. Procurar-Te-ei pelo desejo e desejar-Te-ei na minha procura. Encontrar-Te-ei, amando-Te e amar-Te-ei quando Te encontrar.

Sábado, dia 05 de Dezembro de 2015

Sábado da 1a semana do Advento


Santo do dia : S. Geraldo, bispo, +1108, S. Martinho de Dume, bispo, +579, S. Frutuoso, bispo, +665

Livro de Isaías 30,19-21.23-26.
Eis o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: «Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, tu não voltarás a chorar. À voz da tua súplica, o Senhor terá compaixão de ti; logo que ouvir os teus clamores, Ele te responderá.
O Senhor poderá dar-te a comer o pão da angústia e a beber a água da tribulação; mas Aquele que te ensina não Se esconderá mais e os teus olhos verão Aquele que te ensina.
Se te desvias para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão dizer atrás de ti: ‘É este o caminho; segui por ele’.
O Senhor te dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo. Nesse dia, os teus rebanhos pastarão em extensos prados;
os bois e os jumentos que lavram a terra comerão forragem com sal, limpa com a pá e a joeira.
Em todo o alto monte e em toda a colina elevada, haverá regatos e águas correntes, no dia da grande mortandade quando as torres se desmoronarem.
Então a claridade da lua será como a luz do sol e a luz do sol ficará sete vezes mais forte; nesse dia, o Senhor tratará as chagas do seu povo e curará as feridas dos seus golpes».

Livro de Salmos 147(146),1-2.3-4.5-6.
Louvai o Senhor porque é bom cantar,
é agradável e justo celebrar o seu louvor.
O Senhor edificou Jerusalém,
congregou os dispersos de Israel.

Sarou os corações dilacerados
e ligou as suas feridas.
Fixou o número das estrelas
e deu a cada uma o seu nome.

Grande é o nosso Deus e todo-poderoso,
é sem limites a sua sabedoria.
O Senhor conforta os humildes
e abate os ímpios até ao chão.

Evangelho segundo S. Mateus 9,35-38.10,1.6-8.
Naquele tempo, Jesus Cristo percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades.
Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão porque andavam fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor. Jesus Cristo disse então aos seus discípulos:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
Jesus Cristo chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças.
Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus».
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça; dai de graça.

Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Comentário do dia:
São João Paulo II (1920-2005), papa
«A Missão do Redentor»
«A seara é grande»

Se olharmos superficialmente o nosso mundo, ficaremos impressionados com muitos factos negativos que podem conduzir-nos ao pessimismo. Mas esse sentimento é injustificado, pois temos fé em Deus, Pai e Senhor, na sua bondade e na sua misericórdia. À medida que nos aproximamos do terceiro milénio da Redenção, Deus vai preparando para o cristianismo uma grande Primavera que já se vê despontar. Na verdade, seja no mundo não cristão, seja no mundo da cristandade antiga, os povos têm tendência para se aproximar progressivamente dos ideais e dos valores evangélicos, tendência essa que a Igreja se esforça por favorecer. Manifesta-se hoje entre os povos uma nova convergência em torno desses valores: a recusa da violência e da guerra, o respeito pela pessoa humana e pelos seus direitos, a sede de liberdade, de justiça e de fraternidade, a tendência a ultrapassar os racismos e os nacionalismos, a afirmação da dignidade da mulher e a sua valorização.
A esperança cristã dá-nos forças para nos comprometermos a fundo na nova evangelização e na missão universal e leva-nos a rezar como Jesus Cristo nos ensinou: «Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no céu» (Mt 6,10).
Os homens que esperam Jesus Cristo são ainda em número incalculável; os espaços humanos e culturais ainda não atingidos pelo anúncio do Evangelho ou em que a Igreja não está presente são extremamente vastos, a ponto de exigirem a união de todas as suas forças. Quando se prepara para celebrar o Jubileu do ano 2000, toda a Igreja está ainda mais comprometida num novo advento missionário. Devemos alimentar em nós a paixão apostólica de transmitir aos outros a luz e a alegria da fé e formar todo o povo de Deus para este ideal.
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